Coach é especialidade com expansão de 300%

25 de outubro de 2009

Por Danyelle Woyames - O Fluminense Online

Uma atividade que se encontra em franca expansão, principalmente no mundo dos negócios: a busca por certificação de coaching encontra-se num expressivo índice de crescimento de 300% ao ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Coaching®. Mas o que é, exatamente, um Coach?

"Coach é um profissional que utiliza procedimentos específicos para ajudar seus clientes a produzirem mais realizações e resultados na vida pessoal e profissional. O coach concentra-se onde seus clientes estão hoje e no que estão fazendo para conquistar seus objetivos. Ele busca, através de procedimentos específicos, de perguntas precisas e observações pontuais, fazer com que seu cliente descubra e implemente as soluções necessárias para alcançar suas metas", define o presidente da Sociedade Brasileira de Coaching®, Villela da Matta.

A Coach Ana Beatriz Mendonça, formada pelo Integrated Coaching Institute, faz uma associação simples, que permite uma compreensão rápida da função.

"Podemos comparar o coach a um personal trainner. O personal traça, de acordo com uma meta que seu cliente deseja atingir, um passo a passo que o ajude a alcançar seus objetivos do ponto de vista físico. Mas o coach faz isso em vários âmbitos da vida do cliente, seja profissional ou pessoal, e não apenas físico. O coach pode ser visto como um orientador", simplifica.

Iniciativa – A busca por um coach pode ser uma iniciativa pessoal ou de empresas que visam ao desenvolvimento de seus funcionários. Esses profissionais trabalham com os clientes numa variedade de tópicos: negócios, saúde, financeiro, físico, emocional, profissional, entre outros.

"As pessoas procuram um coach quando querem romper alguns limites pessoais, ampliar suas realizações profissionais, mudar de carreira, conquistar melhor qualidade de vida, abrir um novo negócio, obter mais realizações pessoais, ganhar mais dinheiro, emagrecer, parar de fumar, ser mais feliz no amor, obter uma vida próspera, mais equilibrada e bem-sucedida", enumera Villela, para completar:

"Já as empresas buscam um coach quando querem melhorar a qualidade do trabalho e do relacionamento entre as pessoas, aumentar as vendas e a qualidade do trabalho, melhorar o desempenho de seus funcionários, resolver conflitos entre equipes, criar uma nova mentalidade voltada para resultados, conquistas, realização e participação".

Diferenças – Mas é preciso deixar claro que o coach não é terapeuta. Seu trabalho é bem diferente do realizado pelos psicólogos. Villela enfatiza as diferenças entre os dois campos e ressalta um terceiro.

"Uma das diferenças mais óbvias entre os dois métodos é que a terapia tende a se focar nas experiências e nos sentimentos relacionados a eventos passados, ao passo que o coaching é orientado em direção ao ajuste do objetivo, encoraja o cliente a seguir em frente, a obter novas conquistas e realização na vida", esclarece.

Geralmente, o coaching também é comparado a aconselhamento. Mas consultores tendem a fornecer conselhos, falando o que deve ou não ser feito, ao passo que o coach ajuda o cliente a descobrir suas próprias soluções.

Márcia Belmiro, master coach pelo Behavioral Coaching Institute e licenciada pela Sociedade Brasileira de Coaching®, também diferencia esta, da função dos consultores.

"O método é totalmente interativo e não diretivo. O coach não sugere, não propõe, porque ele não é consultor; ele é antes de tudo um facilitador, um apoio, um suporte, como se estivesse emprestando sua cabeça para que o coachee (o cliente que está sendo atendido) pense, trazendo-o para um campo de onde possa manter uma visão sistêmica dos fatos, das emoções, das situações, das pessoas, com foco no futuro e na ação. Coaching sem ação é mera carta de intenções, não serve para nada", enfatiza.

Ana Beatriz adota uma precaução para evitar esse tipo de equívoco entre seus clientes: "Faço uma entrevista com os possíveis coachees antes de aceitar o trabalho, para ver se ele entende qual é minha função e se, na verdade, não precisa de acompanhamento de outro tipo de profissional".

Cuidados – Márcia Belmiro lembra ainda que também não é papel do coach julgar os coachees, decidir por eles ou fazer doutrinações filosóficas, políticas ou religiosas. E ressalta que é preciso avaliar alguns aspectos antes de contratar um coach.

"É preciso estar consciente que terá de realizar tarefas e efetivamente partir para a ação, ser capaz de suportar certa pressão e estar realmente desejoso de fazer mudanças verdadeiras e profundas em sua vida", explica a especialista.

Outra questão, segundo ela, "importantíssima a ser avaliada antes de contratar um coach, é obter informação quanto à formação, preparo, prática e resultados do profissional". E alerta:

"Há muitas pessoas que se autointitulam coach. Mas para atuar com segurança, o profissional precisa dominar a metodologia, técnicas, o uso de ferramentas específicas, além de ser um conhecedor e estudioso do comportamento humano".

Orientação para adolescentes e empreendedores

Um campo de atuação do coach é a orientação profissional de adolescentes. Ana Beatriz Mendonça tem neste segmento grande parte da sua clientela. De acordo com ela, o auxílio de um profissional capacitado faz a diferença na hora de optar por uma carreira.

"A escolha profissional costuma ser feita no escuro, pois não há tanta orientação nas escolas. Sem conhecer muito bem as atribuições de cada profissão e, com certa influência dos pais, os jovens acabam optando pelas profissões mais tradicionais ou as que dão mais dinheiro, o que não é garantia de satisfação profissional. O coach é importante por levar orientação sobre diversos cursos, ajudar o jovem a enxergar do que gosta e para que tem talento, a fim de que possa tomar uma decisão consciente", afirma.

Mas ela esclarece que o coach não realiza testes vocacionais:

"Esses não são muito específicos e, com o surgimento de vários novos ramos profissionais, estão um pouco ultrapassados. Além disso, o coach não enquadra o jovem em um ramo. Ele o ajuda a conhecer suas características, as das profissões e do mercado de trabalho, para que avalie qual carreira seguir".

Site – A jornalista Fernanda Belém, ao se formar, decidiu que queria montar um site de esportes feito apenas por moças. No entanto, acreditava que precisava trabalhar seu espírito de liderança antes de levar adiante seu empreendimento.

Por orientação da própria mãe, Fernanda procurou Ana Beatriz e traçou um plano de ação, focando em liderança.

"Para mim foi fundamental, pois me ajudou a organizar meu negócio e a lidar com as adversidades. Beatriz me confrontou com situações que poderiam realmente acontecer, como crises no negócio, me ajudando a aprender como superá-las. Se não fosse isso, acredito que já teria falhado", afirma.

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